Trabalho como princípio educativo, pesquisa como princípio pedagógico, direitos humanos como príncio norteador e sustentabilidade socioambiental como meta universal.<!--break-->
O trabalho como princípio educativo, para a compreensão do processo histórico de produção científica e tecnológica, desenvolvida e apropriada socialmente para a transformação das condições naturais da vida e a ampliação das capacidades, das potencialidades e dos sentidos humanos.
O trabalho pode ser entendido como a ação pela qual o ser humano transforma o meio em que vive ou como o produto das diferentes formas de organização social. A educação que tem o trabalho como princípio educativo compreende que o ser humano é produtor de sua realidade e, por isto, se apropria dela e pode transformá-la. Nós somos sujeitos de nossa história e de nosso conhecimento. Nada tem a ver com formar para o mercado de trabalho. Enfim, quando se fala em trabalho como princípio educativo, não está se tratando de uma formação profissional, mas de uma perspectiva ampla de conhecimentos acerca do mundo do trabalho que possibilite a compreensão de seus processos sociais e produtivos, desenvolvendo-se, assim, capacidades humanas gerais para a transformação da realidade material.
Portanto, na área das ciências humanas, por exemplo, a pesquisa sobre como o trabalho se expressa na comunidade do entorno da escola poderia servir de início para se alcançar a compreensão das distintas condições de trabalho e da distribuição social dos seus resultados.
A escola deve estar comprometida não só com a inserção qualificada no mundo do trabalho, mas também com as novas configurações e relações sociais, formando sujeitos críticos, democráticos, participativos, éticos e solidários.
A pesquisa como princípio pedagógico, possibilitando que o estudante possa ser protagonista na investigação e na busca de respostas em um pro¬cesso autônomo de (re)construção de conhecimentos.
A pesquisa como princípio pedagógico consiste em estratégias de investigação e de pesquisa que busquem fazer com que os estudantes despertem curiosidade sobre o mundo que os cerca e passem a ser ativos na construção do seu próprio conhecimento, promovendo uma aprendizagem significativa, duradoura e transformadora, a qual culminará na transformação da realidade local. Em outras palavras, a pesquisa como princípio pedagógico visa a autonomia do jovem estudante na reconstrução do conhecimento e das práticas sociais. Contribui, então, para a autonomia intelectual do aluno e para a compreensão e melhoria da vida cotidiana, pois a produção de novos conhecimentos gera a compreensão e a transformação do mundo em que se vive.
Os direitos humanos como princípio norteador, desenvolvendo-se sua educação de forma integrada, permeando todo o currículo, para promover o respeito a esses direitos e à convivência humana.
Conforme o Parecer nº 05/2011 do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2011), é necessário “o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (artigo III), e “o reconhecimento e aceitação da diversidade e da realidade concreta dos sujeitos do processo educativo, das formas de produção, dos processos de trabalho e das culturas a eles subjacentes”. (Artigo VII)
Também o mesmo Parecer, em sua exposição dos princípios norteadores das DCNEM (BRASIL, 2012), enfatiza a necessidade de “oferecer aos nossos jovens novas perspectivas culturais para que possam expandir seus horizontes e dotá-los de autonomia intelectual, assegurando-lhes o acesso ao conhecimento historicamente acumulado e à produção coletiva de novos conhecimentos, sem perder de vista que a edu¬cação também é, em grande medida, uma chave para o exercício dos demais direitos sociais”. (BRASIL, 2011, p.1).
Portanto, ou a educação escolar se destina à formação para a autonomia ou ela não é capaz de ultrapassar a mera adaptação dos indivíduos à sociedade. Autonomia intelectual e moral institui-se, assim, como a grande finalidade do projeto educativo voltado para a formação humana integral. Para tanto, fica o desafio de se implementar um currículo que seja inclusivo e intercultural, que parta da realidade social e que articule formação cultural e trabalho produtivo.
Para as Ciências Humanas, em especial, a tema¬tização dos direitos humanos e o compromisso com a sua universalização possuem centralidade no plane¬jamento do que e do como ensinar.
A sustentabilidade socioambiental como meta universal, desenvolvida como prática educativa integrada, contínua e permanente, e baseada na com-preensão do necessário equilíbrio e respeito nas relações do ser humano com seu ambiente.
Sempre que se promovem reflexões que permitam a compreensão de fenômenos sociais, culturais e naturais, a escola estará possibilitando uma formação cidadã, que, por sua vez, poderá resultar em uma ação cidadã sobre qualquer temática cotidiana, incluindo-se ai as questões ambientais. O objetivo disso é auxiliar na formação integral dos estudantes, modificando atitudes na relação com o meio ambien¬te. Ou seja, a aprendizagem dos fenômenos da natureza permite o desenvolvimento de atitudes de preservação que se concretizam sobre o local, manifestando assim, uma ação cidadã.
As questões ambientais oferecem boas oportunidades para desenvolver abordagens interdisciplinares. Essas questões envolvem conhecimentos de todas as áreas. Portanto, quando se fala em sustentabilidade socioambiental na escola, a interdisciplinaridade é a ação mais eficiente.